1. Terceiro encontro: café na madrugada


    Encontro: 11/06/2021, Categorias: Amor Carro, Namoradinha, Heterossexual Autor: BagreHunter, Fonte: CasadosContos

    Terceiro encontro: café na madrugada
    
    A noite já estava alta lá fora, passava da meia noite e eu dormia profundamente. Fui despertado pelo celular chamando, “quem é a essa hora?” resmunguei enquanto tentava alcançar o aparelho ao lado da cama. Mesmo com os olhos pesados de sono reconheci a responsável pela ligação na foto que brilhava diante dos meus olhos. Sorriso desconfiado, cabelos pretos lisos um pouco acima dos ombros, pele branca escondida atrás de uma blusa de frio cinza. CK não tinha o hábito de ligar, muito menos naquela hora da noite, e ponderei as motivações daquela chamada antes de atendê-la.
    
    “Alô”, disse sem pressa.
    
    “Oiê”, foi o que ouvi do outro lado. Estava com o raciocínio lento e não me veio nada na cabeça para falar. “Desculpe estar ligando a esta hora, mas estou em casa sem sono e me lembrei de você. Lembrei das nossas últimas conversas e gostaria de me encontrar contigo, acho que sua companhia me acalma. Você pode?” Confesso que fui pego de surpresa tanto pela ligação quanto pela proposta, respondi um “é claro” automático, sobressaltado e levemente excitado. CK é uma mulher linda e temos uma conexão incomum e estranha: nossas conversas são sempre pela internet e nunca nos encontramos presencialmente, mesmo morando na mesma cidade. Apesar disso desfrutamos de longas horas de conversa pelo Whatsapp ou Skype e penso que se trata de um reflexo do mundo estranho no qual vivemos e dos compromissos que os dois já possuem. Havíamos combinado de mantermos o nosso “relacionamento” totalmente virtual, mas justamente quem propôs a regra a estava quebrando.
    
    Combinamos de nos encontrar num café que fica aberto 24 horas daí a 20 minutos. Saí da cama, troquei rapidamente de roupa, peguei meu carro e segui para o local marcado. Não fiz grandes preparativos para o nosso “primeiro encontro”, apenas lavei o rosto, coloquei uma calça, uma camiseta básica e tênis (hoje penso que deveria ter me preparado melhor). No caminho fui pensando sobre o que ela gostaria de falar, especialmente de forma tão inesperada em plena madrugada.
    
    Cheguei uns 10 minutos atrasado e ela já estava lá. Era uma noite fresca de primavera e ela escolheu uma mesa do lado de fora, um balcão elevado que dava para a rua, sem cobertura, mas que oferecia alguma privacidade devido às plantas do local. Reconhecê-la foi muito fácil, já conhecia a sua feição. Trajava um jeans surrado, uma blusa preta de alças e um all star preto de cano baixo. Havia uma jaqueta jeans sobre seus ombros e aquela imagem conferia a ela um frescor muito maior que a nossa diferença de idade poderia sugerir. Quando ela me viu levantou-se da cadeira, aproximou-se e abraçou-me como se houvesse uma saudade irreparável entre nós. Percebi que ela era mais alta do que imaginava e que as fotos trocadas não davam real dimensão da realidade. Ao abraço seguiu-se um belo sorriso. “Você veio!”.
    
    Claro que eu iria, que atenderia ao seu chamado. Já nutria um misto de admiração e desejo em relação à CK. ...
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