1. [LGBTQ+] PANDEMIC LOVE - DIÁRIO DE UMA QUARENTENA / 12 - RELICÁRIO


    Encontro: 14/09/2021, Categorias: , lgbt, Amor lgbt, covid-19, Pandemia, Quarentena, Amor lgbtqi+, Amigos Gay / Homossexual Autor: EscrevoAmor, Fonte: CasadosContos

    Inferno de Corona vírus. Eu não conseguia acreditar que havia pegado essa doença maldita. A febre não deu sinal de vida, segundo a Nadine uma vitória, mas eu ainda não conseguia sentir cheiros ou sabores. A minha distração se tornou o videogame, vez ou outra, os meninos jogavam comigo.
    
    Levantei da cama e peguei o calendário do LOL, sorri, pois, lembrei do sonho maluco que tive dias atrás. Faltavam quatro dias para eu refazer os exames, teoricamente, a doença não seria mais transmissível.
    
    Qual seria a primeira coisa que faria? Abraçar meus pais, comer um prato de macarronada ou beijar o André. Todas as opções eram tentadoras, mas com certeza, o André estava na frente. Nos últimos dias, ele trouxe outros bilhetes. O Quintino se tornou um ótimo professor, não conseguia imaginar as torturas que o André sofreu por parte do meu primo. Ficava paquerando as mensagens, gostava de receber cartas, algo bem retrô, não é?
    
    Outra coisa que mudou foi a Nadine, pela primeira vez, ela não usou aqueles trajes especiais. Quase me senti normal de novo. Naquela tarde, a enfermeira utilizava apenas uma máscara resistente e um sobretudo do mesmo material da máscara.
    
    Aquele horário, a gente costumava a jogar Mário Kart e, para minha surpresa, a Nadine pegou a manha e venceu algumas partidas. Eu não percebi, mas ela se tornou uma grande amiga. O meu único contato durante o tratamento.
    
    Devido a doença que chegou na Fazenda, alguns funcionários pediram demissão. Por mais que os meus pais procurassem, ninguém, eu disse ninguém queria arriscar ficar doente, então, nada de trabalhadores. Para não sobrecarregar o Seu Nestor e André e, claro, buscando uma forma de castigar a Rêh e Lukas, o papai decidiu que eles ajudariam nos afazeres do dia a dia.
    
    Saí para varanda, o dia estava tão bonito, céu azul e vento batendo no rosto. Adorava esses dias de sol, mas com uma temperatura baixa. Cheguei na beirada, levantei os braços e me espreguicei. Encostei os cotovelos na grade de segurança e observei a movimentação.
    
    Uma cena chamou minha atenção, vi a minha irmã carregando um grande pedaço de feno. Ela vestia um macacão e um top rosa. Com muita dificuldade, a Rêh segurava o feno, deixou no chão e descansou uns poucos minutos.
    
    Quase ri, quando o André passou por ela, a Rêh abriu um sorriso, mas ele passou direto, nem se importou. Será que ele ficou chateado por causa de mim? O André gostava de mim, esse tanto?
    
    — Ei! — Gritou Quintino.
    
    — Quintino? — Perguntei olhando para baixo e avistando meu primo. — O quê? — Gritei de volta dando um tchau.
    
    — Volta logo! — Ele exclamou acenando para mim.
    
    — Pode deixar!
    
    O Lukas, exibido como sempre, estava alimentando os animais, quase reproduzindo um vídeo pornô de baixo orçamento. Ele vestia apenas uma bermuda folgada e um par de botas brancas, aquelas de plástico. O sorriso do meu irmão era contagiante, nunca conheci uma pessoa carismática igual a ele.
    
    A tosse atrapalhou o meu banho de sol, então, a Nadine ...
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