1. [LGBTQ+] PANDEMIC LOVE - DIÁRIO DE UMA QUARENTENA / 5 - AMIGO ESTOU AQUI


    Encontro: 24/11/2021, Categorias: , lgbt, Amor lgbt, covid-19, Pandemia, Quarentena, Amor lgbtqi+, Amigos Gay / Homossexual Autor: EscrevoAmor, Fonte: CasadosContos

    Sabe a sensação de gritar e não conseguir ouvir sua própria voz? Eu sei. Gritei o nome do Quintino diversas vezes, tentava ser forte, mas meu emocional atrapalhou. Comecei a chorar e isso vai virar algo recorrente nesta história, então, vai se preparando, Doutora.
    
    Ainda sem saber o que fazer e gritando pelo meu primo pela trigésima vez, sem sucesso, fiquei de joelhos no chão.
    
    De repente, André prendeu a corda em uma das árvores e começou a descer. Ao contrário de mim, ele parecia focado e determinado em salvar, Quintino. Não conseguia ver muita coisa, mas torcia pelo melhor. Com uma agilidade fora do normal, André conseguiu tirar toda a terra que cobria meu primo.
    
    Eu não sei se foi extinto, mas desci pela corda, queimei minha mão no processo e o ajudei. O Quintino despertou e a minha única reação foi abraça-lo. Mesmo ele nojento e cheio de terra, eu o abracei, e claro, chorei. Já pensou a responsabilidade em anunciar para minha família que o Quintino morreu? Deus me livre.
    
    - Você está bem? Tem alguma coisa doendo? Fala. Fala, Quintino. - pedi desesperado.
    
    - Caramba! Que loucura, cara. Eu estava lá em cima, de repente, soterrado. A experiência mais louca da minha vida. Acho que vi, Jesus. Ele pediu para eu voltar. Disse que ainda tenho que perturbar muito o meu melhor amigo. - ele falou rindo.
    
    Primeiro eu ri, depois bati na cabeça dele. Como ele podia ter feito isso comigo? Não tenho mais idade para levar sustos tão sérios. Após passar a preocupação inicial, a gente reparou que estava em uma espécie de sala. Haviam quadros, algumas mesas e estantes com vários livros.
    
    A estrutura de fato me deixou surpreso, o lugar parecia ter saído de um conto infantil
    
    A estrutura de fato me deixou surpreso, o lugar parecia ter saído de um conto infantil. As paredes eram forradas com uma espécie de papel de parede de veludo. Os móveis tão lindos, cadeiras e mesas. Havia até um mini bar, várias garrafas antigas.
    
    Para a minha surpresa, até o André não sabia sobre aquele lugar. Peguei a planta da fazenda, olhei de cabo a rabo, e também nada de sala secreta. O Quintino levantou, sacudiu a terra do corpo e nos ajudou a investigar aquele lugar.
    
    Sou muito usada como um sobrenome, mas me encontro mesmo na terra, tenho os pés no chão. Os meus filhos servem como alimento, e também se transforma em fonte de energia. Estarei onde menos espera, teria cuidado onde pisa. Você será esperto o suficiente para me achar?
    
    O meu primo leu novamente a dica deixada pelo vovô. Tá, eu esperava, sei lá, uma caixa enterrada, mas uma bat-caverna escondida? Os livros, em sua maioria, eram de poesias, escritos por Rodolfo Albuquerque. Alguns já estavam estragados, uma infiltração destruiu as prateleiras. Provavelmente, o motivo do Quintino descobrir a sala secreta.
    
    - Cara, isso pode ser o tesouro. - deduziu André observando as prateleiras.
    
    - Não, o vovô não faria eu ter uma experiência quase morte por livros. Para isso eu tenho no meu Kindle. - abrindo o ...
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